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Santa
Vitória fica em Minas Gerais, na divisa com o Estado de Goiás,
é uma bela
cidade do Triângulo Mineiro, especializada na criação de gado
de corte e leite. Seu primeiro núcleo povoador foi a fazenda São
Jerônimo, ás margens do Ribeirão São Jerônimo, no início
do século XIX. A
região de Santa Vitória teve uma ocupação tardia, no século
XIX, em contrapartida aos caminhos de bandeirantes do século
XVII e XVIII que marcaram a expansão do território brasileiro
e se dirigiram para aquelas paragens do Triângulo Mineiro.
Atacou os Caiapós, mas foi ferido e retornou à aldeia do Rio
das Pedras. Santa Vitória não está às margens da antiga
estrada bandeirante que ligava
São Paulo a Goiás. Situa-se mais a oeste dela e,
portanto, não estava em uma região de passagem.
Assim,
acreditamos que os caiapós erguiam suas aldeias temporárias em
terras pertencentes
ao atual município de Santa Vitória. Afinal, os Caiapó
viveram e experimentaram todo um processo de invasão da região
sul de Goiás, do Triângulo
Mineiro,
leste de Mato Grosso e norte de São Paulo, a partir do início
do século XVIII.
O Triângulo Mineiro foi anexado à Província de Minas por um
alvará de 04/04/18167. Passou aí a pertencer à Comarca de
Paracatu e a divisa entre Minas e
Goiás começou a ser delimitada pelo Rio Paranaíba, ao invés
do Rio Grande.
Santa Vitória iniciou seu povoamento, então, a partir da
iniciativa corajosa de enfrentar os silvícolas e adquirir
terras na região para a agropecuária. Mas houve outro problema
que contribuiu para desacelerar o desenvolvimento da cidade.
Segundo o Sr. Oton, Santa Vitória era repleta de mosquitos que
transmitiam malária e outras doenças dificultando a permanência
das pessoas. Esse quadro se reverte com a construção da igreja
de Nossa Senhora das Vitórias, em 1900.
A
primeira igreja de Nossa Senhora das Vitórias foi erguida, então,
em comemoração a uma das vitórias dos
cristãos
contra os mouros. Em Santa Vitória, isso se deveu à fé dos
doadores do terreno para a construção do templo, o Sr. José
Joaquim Alves Paranaíba e D. Emerenciana Augusta Pereira. O
terreno foi doado em 1900, mas a igreja só foi construída em
1904, sob a orientação do Padre Ângelo19. Foi feito apenas um
cômodo e só depois expandido para se transformar na capelinha
atual. Hoje, o cemitério não fica mais nas proximidades, mas o
prédio ainda guarda suas características originais.
Em textos arquivados na prefeitura, consta a inauguração de um
cemitério nos arredores de onde seria a Igreja, em 1898 e em
outros há a afirmação de que o cemitério foi construído com
madeira fincada, em 1905, pelos irmãos José Fernandes da Silva
Coelho e Joaquim Fernandes da Silva Coelho. Antes de 1898, os
mortos da região eram enterrados em um cemitério que havia em
São José do Tijuco, Ituiutaba, como aconteceu com o capitão
Manoel Joaquim Alves, no ano de 1888 ou em cemitérios
particulares. Em 1898, teria sido construído, então, um cemitério
no lugarejo de Córrego dos Bois de São Jerônimo e, em 1905,
outro possivelmente foi construído, mais distante da igreja. Não
sabemos ao certo se dois cemitérios distintos foram construídos
em tão curto período de tempo, ou se são o mesmo. Mas a tendência
do momento era distanciar os cemitérios dos locais de convívio
da comunidade.
Esses
cemitérios não existem mais e em seu lugar foi inaugurado, em
1950, na gestão do prefeito Genésio Franco de Moraes, o Cemitério
Municipal de Santa Vitória.
No início do século XX, Santa Vitória ainda pertencia a
Ituiutaba. Sua primeira escola foi inaugurada em 1914, chamada
Grupo São José, com a nomeação da professora D. Izabel Alves
de Souza Bastos. Foram professores da escola D. Ana Rosa Paranaíba,
Sr. Eurico Romero da Silveira, D. Rita Tavares da Silveira,
Luiza Parreira de Oliveira Alvim, Arthumar de Oliveira Parreira,
Áurea Bernardes Carneiro e Adélia Americano do Brasil. A
escola era separada por gênero e os meninos não podiam
conversar com as meninas. Segundo o Sr. Oton, às vezes a
policia ficava olhando para verificar se havia tentativas de
interação entre os dois grupos.
Atualmente, o município conta com dezesseis escolas, sendo a
maioria delas municipais. Elas são APAE Centro Educacional
Passo a Passo, Centro Educacional de Santa Vitória, Escola
Estadual José Paranaíba, Escola Estadual Prefeito José Franco
de Gouveia, Escola Municipal de Chaveslândia, Escola Municipal
de Perdilândia, Escola Municipal Geraldo Ribeiro, Escola
Municipal Luiz Dib, Escola Municipal Nossa Senhora das Graças,
Escola Municipal São José, Escola Municipal São Pedro, Escola
Municipal Tancredo Neves, Escola Municipal Turrico do Prado,
Escola Municipal Zezeca Franco, PEM Alcione A. F. Rodrigues e
PEM Maria O. de C. Oliveira. A escola estadual mais tradicional
da cidade é a Escola Estadual Prefeito José Franco de Gouveia
que atende alunos do ensino médio e fundamental.
Quando iniciou seus trabalhos, em 1960, ela pertencia à Fundação
Educacional Clovis Salgado e se chamava Ginásio Nossa Senhora
das Vitórias. Em 1964, a escola passou para o Estado pela Lei nº
3.296, de 14 de dezembro de 1964 que estabelecia a criação do
Ginásio e seu funcionamento após ter local e professores
apropriados.
Em 1966, o Ginásio Estadual de Santa Vitória foi instalado. No
ano seguinte foi aprovada a criação do Colégio Normal pela
Lei n° 4687, de 14 de dezembro de 1967 que estabelecia a
manutenção do colégio pela prefeitura.
Dois
anos depois, a escola passou a oferecer o curso de formação de
professores primários24. Hoje, a escola não ministra o curso
normal técnico e lida apenas com o ensino médio e fundamental.
A primeira venda da cidade de Santa Vitória pertenceu ao Sr.
Salustiano Brechó de Moraes25, conhecido como Salustiano
Caixeta, e foi fundada no início do século XX. Natural de
Igarapava, o Sr. Salustiano chegou a Santa Vitória por volta do
ano de 1904 e adquiriu um sítio. Depois que sua esposa faleceu
ele se casou com Maria Cândida de Lima. Nos anos seguintes,
construiu uma casa e abriu uma venda, chamada Junqueira, Moraes
& Cia. Eram sócios no negócio os Srs. Joaquim da Costa
Junqueira, Salustiano Brechó de Moraes e José Pedro Mariano.
O Sr. Salustiano faleceu em 1915 eletrocutado. Um raio caiu nas
proximidades de sua casa e a eletricidade dissipada pelo relâmpago
matou algumas pessoas que estavam na área atingida.
A
segunda venda aberta na cidade foi a Flor de Abril que durou do
início do século até o ano de 1963. Ela pertencia aos Srs.
Reinaldo Franco e Joaquim Coelho da Silva. Era uma loja de secos
e molhados, vendia tecido, querosene, foice, arma chapéu, açúcar,
etc.
As duas primeiras décadas do século XX reservaram à Santa Vitória
um grande progresso. Foram construídas as primeiras casas e, em
1918, já havia oito casas na cidade. A igreja e o cemitério
foram estabelecidos e demarcados. As primeiras professoras
iniciaram seus trabalhos de alfabetização das crianças na
nova escola inaugurada. A banda de Santa Vitória foi criada,
com o nome de Lira de São Tomé. E o primeiro automóvel foi
trazido pelo Capitão Nico, em 1918.
Todas
essas inovações indicavam o crescimento da cidade e
ocasionaram sua elevação para Distrito de Santa Vitória,
subordinado ao Município de Ituiutaba, pela Lei Estadual n°
843, de 7 de setembro de 1923.
Na
década de 1920, 1930 e 1940, o Distrito de Santa Vitória viu a
criação do seu primeiro cartório, cujo escrivão foi o Sr.
José Martins de Oliveira Andrade.
A inauguração de sua primeira farmácia, em 1944, de
propriedade dos Srs. Venerando José Ferreira e João Primo de
Oliveira. Em 1940, surgiu a primeira linha de ônibus que ligava
Santa Vitória à Ituiutaba, de propriedade do Sr. João Martins
de Assunção e depois de João Villela. Em 1945, foi aberto o
posto do correio, tendo como funcionária D. Irany Moraes Paranaíba.
Havia também o cinema, cuja casa está abandonada. Foi
utilizada pelo Circuito Oi de Cinema, um projeto da empresa de
telefonia Oi de difusão do cinema.
O município de Santa Vitória foi criado pela Lei n° 336 de 27
de dezembro de 1948. O anexo 2 desta norma estabelece os limites
municipais de Santa Vitória.
a)
Limites Municipais:
1-
Com o Estado de Goiás: Começa no rio Paranaíba na foz do rio
Arantes; segue pela divisa interestadual Minas - Goiás até a
foz do Tijuco.
2-
Com o Município de Ituiutaba: Começa no rio Paranaíba na foz
do rio Tijuco; sobe por este rio até a foz do ribeirão São
Jerônimo; sobe por este até a foz do córrego Mandacaia; daí,
segue pelo espigão entre os córregos do Retirinho e Pião, até
alcançar a cabeceira do córrego do Borá; desce por este e
pelo córrego do Cervo até o ribeirão dos Patos; atravessa
este e segue pelo espigão até o ponto fronteiro à cabeceira
do córrego do Vizeu.
3
- Com o Município de Campina Verde: Começa no divisor entre o
ribeirão dos Patos e o rio Arantes, na cabeceira do córrego do
Vizeu; desce por este córrego até a sua foz no rio Arantes.
4
- Com o Município de Iturama: Começa no rio Arantes na foz do
córrego do Vizeu; desce pelo rio Arantes até a
sua
foz no rio Paranaíba.
Com a emancipação do Município, foi eleito o primeiro
prefeito, Sr. Genésio Franco de Moraes, cujo mandato foi de 03
de abril de 1949 a 03 de abril de 1953. Seu trabalho foi
organizacional porque se iniciava a prefeitura e foi preciso
estruturar e criar cargos, contratar funcionários, alugar o imóvel
para sediar a prefeitura, comprar móveis, etc. O dinheiro era
pouco para muitas tarefas, mas conquistou seus objetivos e calçou
muitas ruas, construiu o cemitério atual e, junto com a
Sociedade São Vicente, ergueu o Hospital São Vicente, hoje
Hospital Municipal. Foi prefeito duas vezes e faleceu no meio do
seu segundo mandato em 1966.
O segundo prefeito de Santa Vitória foi o Sr. Eudóxio Cândido
Severino, conhecido por Doca Severino. Era filho de João Cândido
da Silva e Amélia Severino. Governou de abril de 1953 a janeiro
de 1955. Seu vice foi José Francisco Pereira. Teve um segundo
mandato de 03 de fevereiro de 1959 a 30 de janeiro de 1963, cujo
vice foi Januário de Freitas Silveira.
Em janeiro de 1955, o Sr. Sebastião José Ferreira, vulgo
Sebastião Bonito, tomou posse na prefeitura de Santa Vitória.
Seu apelido foi uma extensão de um parente que era chamado de
Bonito por ter boa aparência. Sebastião Ferreira chegou a
Santa Vitória em 1942 e adquiriu a Fazenda da Invernada do Cel.
Emídio
Marques Ferreira. A Invernada fazia parte da antiga fazenda de São
Jerônimo Grande e foi dada ao Cel. Emídio em troca por serviços
prestados na divisão das terras. Sebastião Bonito doou
terrenos para os padres Lazaristas de Campina Verde para que
fosse dada assistência religiosa aos fiéis de Santa Vitória.
Durante sua gestão contribuiu para o desenvolvimento da cidade.
Em 1963, tomou posse novamente o Sr. Genésio que faleceu em
1966, ficando em seu lugar por um ano o vice-prefeito, o Sr. Pio
Bonito. Ele era filho do Sr. Sebastião José Ferreira e D.
Gabriela Ferreira de Queiroz.
Completou os trabalhos iniciados pelo Sr. Genésio. No próximo
mandato, de 1967 a 1971, o prefeito eleito, Sr. José Franco de
Gouveia, assim como o Sr. Genésio, faleceu em meio á
legislatura, em 01 de maio de 1970. O vice-prefeito, Sr. Jerônimo
Teodoro, assumiu a prefeitura. O Sr. José Franco de Gouveia
trouxe a energia elétrica da CEMIG para a cidade e o serviço
telefônico da CTBC. Segundo o Sr. Laerte Gonçalves, a energia
em Santa Vitória era a vapor, colocada pelo Sr. Orlando Franzão
na década de 1940. Em 1958, o motor estragou e o Sr. Orlando
comprou um motor estacionário que fornecia energia até as 22
horas por causa de uma fábrica de manteiga instalada na cidade.
A Fábrica de Manteiga e Laticínios Pindorama funcionava
durante o dia com a energia do motor e a noite, quando parava de
trabalhar, a energia iluminava a cidade. Na década de 1960, o
Sr. Genésio, então prefeito do município, comprou outro motor
estacionário para Santa Vitória que durou até a década de
1970, quando a CEMIG instalou dois motores para ter luz elétrica
por 24 horas.
Em
1971, sob ao cargo de prefeito o Sr. Salustiano Vasconcelos de
Moraes. Ele era filho do Sr. Genésio Franco de Moraes,
ex-prefeito do município.
Sua gestão foi tão promissora quanto a de seu pai. Ele
perfurou poços artesianos e construiu um reservatório para
fornecer água para a cidade que até então não tinha
distribuição pública. Asfaltou ruas e estradas e reformou o
Hospital. Seu mandato durou até o dia 30 de janeiro de 1973.
O Sr. Pio Bonito tomou posse no cargo de prefeito em 31 de
janeiro de 1973 e complementou a gestão anterior. Abriu mais poços
artesianos para aumentar a distribuição de água e ampliou a
rede elétrica para melhorar a distribuição de energia e
atingir mais casas. Ele comprou novos motores para atender a
cidade. Tentou trazer a energia da CEMIG, mas não conseguiu por
motivos técnicos. Deixou o cargo em janeiro de 1977. Foi
vereador por vários mandatos e sempre contribuiu para o
progresso de Santa Vitória.
O próximo prefeito foi o Sr. José Arantes Pereira, que ficou
até janeiro de 1983. Foi no seu governo que foi construída a
represa de São Simão para a Hidrelétrica de mesmo nome que
auxiliou a cidade no abastecimento de energia, mas também
causou grande impacto ambiental, modificando parte da paisagem
do
município. A hidrelétrica da CEMIG fica no município de Ipiaçu
e tem um aproveitamento de 41,85%.
O mandato seguinte foi de fevereiro de 1983 a dezembro de 1988 e
o prefeito eleito foi o Sr. João Batista de Lima. Era filho de
Joaquim ribeiro da Silva e Maria da Luz de Lima. Estudou
odontologia na Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro.
Era dentista na cidade e criador de gado. Dizia que não havia
dificuldades em trabalhar e ganhar dinheiro, mas em economizar e
administrar o dinheiro ganho. Ele criou centros comunitários,
creches e postos de saúde.
Construiu bairros populares e doou aos cidadãos carentes do
município, como o Conjunto Lima e a Vila São João. Fez um
governo preocupado com as questões sociais e tentou minimizar
as dificuldades das populações mais carentes do município.
Em 1989, subiu à Prefeitura de Santa Vitória o Sr. Lourival
Domingues Franco que permaneceu no cargo até dezembro de 1992.
Em seu mandato foi construído o fórum da recém criada Comarca
de Santa Vitória. Em 1997, ele subiu novamente ao cargo e
tentou implantar a hidrovia do Mercosul que ligaria o rio Tietê
ao Paranaíba e Paraná. Mas as dificuldades foram maiores e o
projeto não atingiu seus objetivos. Foi fundado nesse período
o Porto de Chaveslândia.
O mandato entre os dois exercidos pelo Sr. Lourival foi do Dr.
Antônio Celso Andrade Domingues que durou de janeiro de 1993 a
dezembro de 1996.
Entre os anos de 2001 e 2004, o Sr. Adalto José Fonseca de Lima
exerceu o cargo de prefeito do Município de Santa Vitória.
Em 2005 foi novamente eleito prefeito do município Dr. Antônio
Celso Andrade Domingues e se reelegeu em 2009, tornando-se o primeiro
homem a governar o município por três mandatos.
Fonte:
Casa da
Cultura de Santa Vitória-MG
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